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Comunidade na tela - a mudança através da formação de documentaristas populares


"Comunidade na tela foi uma experiencia inovadora para mim, porque me permitiu conhecer mais sobre a parte de área cinematográfica, mostrando como é feito um documentário do início ao fim."


Essa fala é da Rafaelly, mobilizadora e aluna do comunidade na tela de Manaus, que demostra o significado do projeto Comunidade na Tela, que tem como objetivo formar documentaristas populares, trazendo conhecimento técnico e prático para pessoas que vivem em comunidades periféricas ou são grupos considerados marginalizados pela sociedade.


Raline ao lado esquerdo e Rafaelly ao lado direito, ambas em pé de calça com a camiseta amarela do projeto Comunidade na Tela
Raline (Diretora de Comunidades Amazonas) e Rafaelly (Mobilizadora).

Este projeto idealizado pelo Instituto Rebbú em parceria com plataforma AvMakers foi lançado em junho de 2022 e concluiu a sua segunda turma, atingindo 100 horas de aulas para 26 alunos, alunas e alunes que foram certificados. Um projeto de grande importância para quem está na periferia e em estados fora do eixo Rio-São Paulo, estados que são sempre palco de festivais e investimento de documentaristas. Dessa forma, decolonizar as áreas do audiovisual é um dos objetivos do Comunidade na Tela, trazendo diversidade, cultura e protagonismo de pessoas pretas, indígenas, lgbts, ribeirinhas e nortistas.


"Realizar a 2ª turma do Comunidade na Tela com alunos 100% de Manaus tem um significado especial para mim, pois como manauara sinto que estou devolvendo para os meus um pouco do que aprendi ao longo desses últimos anos.

Essa foi uma turma intensa, em todos os sentidos, de dedicação, atividades e principalmente de troca, a cada aula conseguíamos falar de vários temas importantes através do audiovisual, falamos da luta dos povos indígenas, de mudanças climáticas, da atuação de lideranças jovens, de equidade racial e de gênero. E esse é o poder do audiovisual, de fazer com que diversas pautas virem discussões no nosso dia a dia e que principalmente, essas discussões virem mudanças"


Este trecho é um depoimento da especialista de comunicação e professora mentora, Emile Gomes, que conduziu o projeto, mostrando a importância de potencializar seus conhecimentos no local onde nasceu e foi criada, ela também teve o cuidado de selecionar outras convidadas mulheres, lgbts e nortistas para que as pessoas em formação se reconhecessem e entendessem que o audiovisual também pode ser um lugar para elas. Um exemplo de um dos depoimentos da aluna Carla Marianne:


"Foi um processo de muitas descobertas e aprendizados, foi minha primeira experiência com o audiovisual, com as técnicas e tudo mais. Tive a oportunidade de ouvir e aprender com algumas potências do audiovisual daqui do norte, como Samara Souza, Anderson Mendes, entre outros"



Carla posando para foto. Carla é uma mulher preta com cabelos cacheados vermelhos e curtos, está com a camiseta amarela do comunidade na tela.
Carla posando para foto

Rafaelly também ressaltou que achou as aulas extremamente didáticas, e amou as aulas interativas, sendo a que mais lhe marcou a da Luana Maria, jovem ativista travesti de Recife, que contou sobre a sua vivência na área de tecnologia da Pajubá Tech.


A professora especialista Emile, mostra o cuidado na dedicação de suas aulas para muito além do conteúdo:


Quando eu pensei na estrutura da aula do fala do Comunidade na Tela, pensei obviamente no conteúdo técnico, mas para além disso, pensei em como fazer que esses jovens tenham um olhar atento e sensível na hora de produzirem seus documentários, que usem o audiovisual para mudar e destacar a realidade da sua comunidade, porque a parte técnica e prática, eles irão aprender como o tempo, já o olhar atento é necessário que seja estimulado constantemente, e foi assim que foi construido todo o conteúdo temático dessa 2ª turma do Comunidade na Tela.

Tela do Google Meet com algumas pessoas com camera aberta e outras fechadas
Aula online Comunidade na tela turma II

A formação pode trazer diversos resultados para o jovem: desde a empregabilidade na área de audiovisual até a atuação como ativista de causas fundamentais dentro da sua própria comunidade, trazendo para a tela questões ainda invisibilizadas, como exemplo do mini documentário produzido pela Carla, "DoGuetto", que foi idealizado e realizado com o intuito de mostrar artistas anônimos de sua própria comunidade, São Sebastião, em Petrópolis - Manaus.


"Temos o depoimento do Phernandin e do Gutto, que são artistas pretos e periféricos, que fazem o corre de ser artista independente buscando visibilidade. Se a gente que é de periferia não mostrar os nossos, ninguém vai" - Carla Marianne

Segundo os dados da Ancine de 2016, nenhuma mulher preta produziu ou dirigiu filmes nacionais neste período, pois, infelizmente, apesar do aumento da diversidade de pessoas nas telas, na direção de filmes, a branquitude ainda prevalece. Pessoas periféricas, indígenas, lgbts e principalmente trans, são quase inexistentes nestes cargos, mostrando ainda mais a importância do projeto Comunidade na Tela.


A potência de Carla, mulher, preta, periférica, nortista como diretora de um documentário que retrata os artistas da sua comunidade mostra como a educação pode mudar a realidade e o futuro das novas gerações.



13 jovens com a camiseta do Comunidade na Tela com mais 3 pessoas da equipe da Rede Amazônica
Imersão Rede Amazônica

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